terça-feira, 17 de novembro de 2009

Incen'diário


Estive pensando, aqui em meu espaço. Algo ocorre, superando o esperado!
Tomei d’algum bebedouro, juro que recordo, que pulsava de um desejo forte.
Líquido quente, dia quente... ultimamente tudo tem ardido em Fogo!
Esta tarde saltou descompassadamente. A alma saltou de mim!
Crê no que te digo? Foi passear acompanhada...
Isto explica, da minha parte, este comportamento animalesco.




Um tempo; preciso de ares... o ar tem me faltado com freqüência. São essas fogueiras nos quadrantes !




Cuida-te, alma, minha querida, todas que me rodeiam, pois me acostumo facilmente a isto tudo. Ando um tanto mudo, uma fome de reavivar os nervos!

Aviso que, de certo logo cedo, devoro-te por dentro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bifurcação



Fantasiai! Quero-te, mas com o medo de querer, cria-se atmosfera pesada, embriagante, de desejos misturados a repulsa.
Quero-te em explícito, em confusão, a insegurança é teu porto não seguro de orgasmos fantasiosos lidos entre teus cílios, entre seios, entre braços semifechados; em asas arqueadas ameaçando aventuras...
Finges que não é contigo que finjo que não te alarmo, que não te atiro um desconcertante raio, pois não desvio meus olhares. Não mais.
O ar é pesado, é morno, é úmido, visto que estou tão perto de teus lábios... Teu alento...
Mel vaporizado, vapor entorpecente exalado dos abraços.
Não, não é eterno... Da chama o combustível cessa, mas é tão vagaroso... Queima apesar do frio que adentra as janelas.

sábado, 31 de outubro de 2009

Vaticínio



Ao meu desejo sou todo atento, mas se nuvens sempre vejo, nefelibatando a vida, ora desleixo, ora carícias, tudo ignora as sinapses, ignorantemente perdidas.
Foi assim a tua visita, a dormência por conta dum incentivo químico, rasgou o véu duma tranqüila existência, gastei horas entre beijos cínicos, não soube bem as intenções dessa vivência.
E de certo ando meio na cautela, aliás, a conspiração anda comprimindo meus desejos... Há dois véus, nesses tempos rancorosos, torniqueteando meus membros oníricos.
Recebi tua visita...
Recebi todo meu pretexto, teu pretexto, talvez cantássemos sempre esse encontro, disparadas flechas ao meu tronco, a chuva é seiva de delícias atormentadas!
Rosas, Rosa, se lhe dessem outro nome, continuarias com espinhos. Sobra-me saber se em meio a tantas anedotas, o perfume valha todo o risco.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A liquidez dos fatos



    Verti-me em gotas doces, doces gotas, doces ondas de torpor incerto. Acendi
meu fumo olhando a urna do cachimbo, caldeirão vivo que estalava em fino cheiro.

“Quem toca com cautela a janela de meu quarto? É a chuva a fazer-me
serenata?”

    Sim, e quem mais seria? Garoa que me agarra, que me agüenta a gargalhada, que
me guiará fluída.
    Sinto nuvens pairando, cobrindo meu corpo junto a meu sorvo, meus sorvos,
meus longos e calmos mergulhos espectrais. Ah, esse céu de Vila Velha é único deste
meu ângulo, ouço o som nauseante e azedo das ruas de comércio da Glória, o cheiro do
suor das pessoas que atravessa dois andares e mistura-se à minha festa - penetras
malqueridos e mal-amados.
    Não fecharei a janela agora, o dia está belo - belo e cinza - e aproveitarei das
passadas cinzas e viajarei nesse rio. A chuva é rio que passa em minha vida.
Subo no banco, debruço-me na janela, sinto o vento povoado de chocolate, suor,
fumaça, cachimbo e vinho. Escalo a janela de meu quarto. O vento é até bom, pois não
cobra seus carinhos...

    “Olha minha nave, minha condução, translúcida e gotejada... prenderei um
pouco a respiração e pegarei carona pela estrada...”

    Um pulo, um vôo no espaço, mergulhando numa gota desprendida do telhado.
Rapidamente nado e pelo outro lado saio. Outro pulo, outra nave, e outra, e outra...
    Sigo e subo num torpor sagrado não sentindo mais meu corpo molhado.
    Longe das gotas, dos gritos das pessoas, das sirenes e dos olhares dum sadismo
curioso, vejo, espatifado, o Sol rasgar as nuvens e o sal de meus olhos cansados.
    Verti-me em tragos e em tragos bebeu-me a Vida... Esvazio-me pelas ruas, pelos
bueiros. A vida me foi um tanto breve por conta de goles mal tomados...

sábado, 24 de outubro de 2009

Adendo



O que esperas de mim? Hoje fui acometido de um estupor! Saí de minha lógica.
Os humores eram misturados, as garrafas já trincavam próximas aos pés, entorpeci-me diante ti.

Odeio momentos de embaraços, onde me enrosco em mim mesmo, posteriormente censuro-me e me tenho temor. Lamento formidavelmente minha falta de manejo social, quisera saber as palavras adequadas, aquelas que certamente não ilustram o momento, mas apresentam soluções imediatas.

Se tratando de meu peito, pouco se dá por exato, então peço inquestionável, quanto a isso, resguardo. Sou vazio há muito tempo... estruturas há muito inabitadas, duvidáveis. Dói-me a alma, não posso prometer-te momentos sempre afáveis.

Mas explica-me a fraqueza que me confiro? Serás tu que já me absorves?

E como da chuva a terra sorve, teu olhar sempre perdido, desfocadamente focado, bebe-me em goles, e eu estacado!

Guia-me, por um momento vos deixo. Canto este intento, e mesmo cá, gritando aos ventos, podes por tudo ter verdade.

Não me exijas, ai de mim! Cada hora adiciona-me um fado!
Mas, talvez em nossa existência, visto do mundo toda demência, sejamos ambos remediáveis!

Gemeu em meu ombro a vida, algum espasmo de sonho, e tento diante a falta de sono, consolar-me neste silêncio morno de meu quarto, e os deuses sabem como detesto esta prostração que venho me propondo.



Certo dia acordarei como de assalto e, feito assaltante, roubar-te-ei-a de ti.



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Raposa e Lebre



Obedeci ao que os lábios pediam, ungidos de vontades próprias, varrido por um vôo, o
vento nos unia em magnetismo. Mas eram assim, tão loucas as idéias dum copo de vidro
transbordadas à realidade que vi num canto o sorriso de vontades por muito verdadeiras.
Não cabem rimas, não cabem versos a desejos tão profundos, a devaneios tão corretos,
onde a chuva disfarça os gostos que tenho contido. Foram muitas as vezes que minh’alma
velou-me – corpo vestido de alegrias – alegorias passageiras, mas, vez ou outra, inda tenho
explodido na boca os prazeres do açúcar ao lado do amargo da língua... Talvez, algumas
vezes, as línguas se ocupassem diante olhos vazios.

sábado, 10 de outubro de 2009

Dicotomia (a)sentimentalista



Isto que lê, talvez com olhos trêmulos ou mesmo entusiasmados...
Bobagem, verdadeiramente não sei como lê-me, como qualquer um lê-me, e
parte disto é motivo para a trava na garganta, as paredes de concreto que
desabam, vez em quando, sobre meu peito.
Qualquer um apontaria minha fraqueza, ahh, mas acredite, vai além da
fraqueza. A fraqueza é apenas o que é, somente isso, sintomaticamente dentro
da normalidade.
Não! O que me acomete não pode ser normal, tenho a fome de um titã,
daqueles que devoram os filhos, e por vezes, sem aviso prévio ou
acontecimento anunciativo, perco tudo, e quando digo tudo me refiro a tudo
mesmo, tudo o que importa, essa sopa sinestésica que chamamos afeições.
Ai sina maldita, não se contentou deus em fazer-me um deficiente
sentimental ou um sentimentalista digno de pena? Pois, analisando por fora o
dado problema, a pena é encaixável em ambas possibilidades. Maldita sina,
queria a estupidez dos amantes, a pieguice dos depressivos...ahh, isso tudo
irrita! O ódio para com os outros resolvo alimentando pragas, repúdios,
escárnios. E quanto ao ódio próprio? Aquele sentimento puro e sincero, que a
meu ver é pouco mais íntegro que o amor próprio, ligeiramente entorpecido por
um placebo chamado ego. Mas, se não me interessa dar cabo da vivência,
método pouco prático, claustro intelectual e experimental, o que me resta?
Viver? A vida tem sido varizes latejando em dias quentes, mas em raras
exceções tem sido o êxtase de quem para e descobre: “nossa, essa é a razão
da vida!”, bestificado por ter entendido algo que é estupidamente
compreensível, como o sentido da morte é tirar e o sentido da água é matar a
sede, ignorando as outras possibilidade que acabam, analogicamente ou não,
tendo o mesmo sentido, um sorriso lhe surge à alma e tudo fica calmo e puro,
como um sedativo ministrado com álcool.
Compreende o que sinto? É como ter deus no próprio corpo, com todos os
amores e misérias os quais só cabem a ele, regente de tudo, é como tentar por
na humilde cavidade de meu peito o coração de um elefante.
Vem na noite de assalto, um gago sentimento engasgando, aterrador e com
forte gosto, como o gosto duma azia de fome, morder-me os lábios, descer-me
arrastado, lacerar minhas unhas, meus dedos, travar-me, então, a garganta...
Sufocar-me em soluços.
Olha-se uma furna profunda, mas a noite, essa que é em mim e é na rua,
cega qualquer coragem, qualquer vestígio, qualquer investigação... é dor que
dói para o sempre, sabe-se o que o peito é e é tudo negado... Sentimento, filho
bastardo.
Foram noites essas veladas, e o querer esquecer não cancelou efeitos...a
falta de fé não apagou a condenação, e se estou cá, já condenado, nada de
pior gosto e mais adequado que a fumaça que renova-se num teto arqueado.