quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Duo

O que conforta esta ida e vinda,
este constante choque térmico?

O limite entre os pedaços da queda
e a leve pluma, o leve pouso

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Leviano reflexo, leviano espelho,
levemente flertei com minhas retinas.
E tudo feito luz num momento de lampejo,
foi-se raio no início da tempestade,
Foi-se estrondo um tanto tardio.

Percebi-me palpável só por querer
fiz-me pleno sem necessidade dos sentidos.

O Saber é então o que não me faz cativo,
foge, com a real percepeção, de todo cativeiro,
das cinco ilusórias moradas do desejo.

Leviano reflexo, leviano espelho,
laçado foi também o guerreiro
que alçou-se da carcaça
foi-se vento por demais
foi-se...
e nem crepúsculos, e nem alvoradas
acabou por perceber
o tudo que teve, um tanto perdido.

E qual é o patamar aceitável?
ora, sustenta tuas partes,
sede como a galhada!
Dedos de raizes
sólidos, palpáveis
copa infindável, aérea, inimaginada!


Corpo, leviatã passageiro.

domingo, 20 de junho de 2010

Conheces o caminho!
E digo-vos algo já sabido,
mas este reforço faz-se válido
cada qual, em natural estado,
sabe tal veredito:

És o que crias em teu maquinário!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Malbaratar

Tudo que é vontade, e que,
invariavelmente não se vive,
tudo que é silêncio que subtamente
tende-se ao barulho
há de ser o que menos precisa
e o que menos se cala, e que menos se pensa.
Cansado esteve de procurar
por nunca saber que já o possuia.
Fartou-se de comer pois pensou-se
estar com fome.
Pensar!
Olhar desconsoladamente para a vida
percebendo-a como um arroto.

Querer, Confabular, Camuflar, Procurar,
é pelos verbos pecar.

Tentar segurar o tempo um tempo pelo respiro...

É menos viver e por demais Verbalizar.

sábado, 15 de maio de 2010

Ocaso

O manto descendo, róseo quebranto em nuvens anunciado.
O corpo, tão amplo! Pele que não comporta o próprio traço.
Não vejo em nada o mal que anunciam...Acluofobicos que me perdoem,
mas o sopro é mais delicioso sem a luz das velas, ao som do espaço!

terça-feira, 11 de maio de 2010


Cortou o dia, um certo silêncio, calmamente cantado, este pássaro de inocência.
Nunca percebido fora, nunca anunciado desta forma, a totalidade calada para um canto de pássaro.
Percebeste, já, o canto deste pássaro? 
Percebeste o vento que o afaga sem cobrar ao menos uma carícia?



Desliga, desliga o aparelho, desliga que quero o som da vida mais alto!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Psicopompo

Que meu ego me perdoe, mas andei duvidando de minha sanidade.
Mas quem duvida há de ser são!
A sabedoria não está em ignorar as vozes que ouço, do clarear ao escurecer,
já sei distinguir a minha própria desta multidão.
Basta à minha paixão saber a largura de meu abraço, como oroborus, enroscado em meus ombros.
Meu castelo anda ruindo, penso seriamente em uma choupana.
Descobri que a morada maior não possui telhados, os limites extravasam os olhos, descobri que viver é morrer sem perder a vida, é nascer já se estando encarnado - autoparto.

Lacerar a própria mágoa,
Comê-la com azeite para descer mais rápido.
ungir a própria testa, santificar teu próprio nome...
Dançar à tua própria graça em festivais de tuas próprias estações.
Como o Sol há de nascer para calorar a tua face, e será o único motivo, teu e do Sol.
Viver ao propósito de quem percebe
assim como estas letras servem ao propósito de quem as lê.