terça-feira, 11 de maio de 2010


Cortou o dia, um certo silêncio, calmamente cantado, este pássaro de inocência.
Nunca percebido fora, nunca anunciado desta forma, a totalidade calada para um canto de pássaro.
Percebeste, já, o canto deste pássaro? 
Percebeste o vento que o afaga sem cobrar ao menos uma carícia?



Desliga, desliga o aparelho, desliga que quero o som da vida mais alto!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Psicopompo

Que meu ego me perdoe, mas andei duvidando de minha sanidade.
Mas quem duvida há de ser são!
A sabedoria não está em ignorar as vozes que ouço, do clarear ao escurecer,
já sei distinguir a minha própria desta multidão.
Basta à minha paixão saber a largura de meu abraço, como oroborus, enroscado em meus ombros.
Meu castelo anda ruindo, penso seriamente em uma choupana.
Descobri que a morada maior não possui telhados, os limites extravasam os olhos, descobri que viver é morrer sem perder a vida, é nascer já se estando encarnado - autoparto.

Lacerar a própria mágoa,
Comê-la com azeite para descer mais rápido.
ungir a própria testa, santificar teu próprio nome...
Dançar à tua própria graça em festivais de tuas próprias estações.
Como o Sol há de nascer para calorar a tua face, e será o único motivo, teu e do Sol.
Viver ao propósito de quem percebe
assim como estas letras servem ao propósito de quem as lê.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Olho da Providência


Pois que pensei sobre o estatuto da Beleza, busquei incansáveis horas, dias, eras.
Pensei banalidades desta atmosfera: Eis que, sobre esta esfera, tudo há de ser da realeza!
E, de esfera para esfera, vos apresento meus sentidos. Se Venus deitada apresenta o cupido, apresento-vos tudo o que me resta.
Não há verdade maior sob esta terra, e, talvez, "sobre" também não a tenha, além dos orbes que vos mostram a senha.
A certeza, dos sentidos parentela, é única a cada indivíduo.

Guarda a razão à chaves e velas, guarda o que te tem terno, o que te dá alívio.
Tens a eternidade das estrelas até que te apagues o brilho.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Aperto

Um aperto, assim como uma porta batida...esmagando os dedos!
Um aperto invisível e avassalador, carregando o peso de tudo que subtraí da percepção, da consciência vivente!
Sinto hoje, e só, assim como só o poderia ser, tudo que a mim neguei-me.
Negar a companhia de todos meus pesadelos, esta negação que não aniquila nada! Inalienável!

Um gemido oco e persistente a soar compulsoriamente, uma surdez que só em mim é ouvida.

Nesses dias, que são eras, acreditem, o trago no tabaco me parece promessa, e já não me apresento aos meus amores, o que me dói mais que o inferno!

E não espero resgate, nunca admiti culpados a não ser este que vos escreve.

Um aperto assim, tão intenso, é de se fazer comover, é de se fazer correr às pressas por não ter aonde ir.

E tudo que vos falo pode vibrar ingratidão, mas juro que não sou tão cruel...é muito o que sentir (ou tentar subtrair), é demais, mesmo as mesquinharias sentimentais que são tão comuns a todos nós!


Dada a situação até a porcariada do Sentir parece-me intoxicante.
E o amor, tão grande que não só é incabível em mim, como extravasa. É algo que de tão puro faz-me apodrecer.

Não espero, mas entendo os risos a mim!
Eu mesmo, neste certo momento, ando gargalhando em meio a soluços.

sábado, 21 de novembro de 2009

Quilograma



Não sei bem a veracidade do que penso.
Pensando bem, a verdade é uma utopia. Há tantas certezas quanto deuses, elas sempre vêm para suprirmos o medo de nos surpreendermos.
Mas de certo tenho dito: Não sei bem a veracidade do que penso. Esta veracidade pouco casa com a verdade, peguei e tornei a verdade objeto ilustrativo! A verdade é uma convenção, já a veracidade uma constatação.
Não é que a mim eu me pareça abstrato, nunca! Tudo que há em mim é concreto como o ar. Até meus sonhos pesam em kg.
Mesmo assim, em algo impalpável transmutou-se minha mente. Eu que quando pensava corroia o universo, quantas vezes apaguei horas em piscares de olhos? Ando transubstanciando!

Ah! Eu me disse que morderia a língua. Eu me disse!
Queria que eu mesmo me visse, visse minha cara!
Eu me disse!

Mas não há motivo para tanto alarde!
Acalma peito descompassado!
Acalmado consigo discorrer sobre temas mais arriscados.

Atenta-te que não direi sobre frivolidades, embora admita que a Palavra usada em seguida anda desvalorizada. Então pega e desvaloriza ainda mais ela, arranca o ranço que lhe conferiram, cria algo novo com tudo que te é respeitável, tira toda a posse que esta palavra conferia. Execremos todas aquelas bocas vomitando acerca dela!

Por fim,
sei que agora amo, aliás, sempre amei, mas hoje digo sem nó verbal.
Amo, porque amar é o mínimo que podemos fazer.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Incen'diário


Estive pensando, aqui em meu espaço. Algo ocorre, superando o esperado!
Tomei d’algum bebedouro, juro que recordo, que pulsava de um desejo forte.
Líquido quente, dia quente... ultimamente tudo tem ardido em Fogo!
Esta tarde saltou descompassadamente. A alma saltou de mim!
Crê no que te digo? Foi passear acompanhada...
Isto explica, da minha parte, este comportamento animalesco.




Um tempo; preciso de ares... o ar tem me faltado com freqüência. São essas fogueiras nos quadrantes !




Cuida-te, alma, minha querida, todas que me rodeiam, pois me acostumo facilmente a isto tudo. Ando um tanto mudo, uma fome de reavivar os nervos!

Aviso que, de certo logo cedo, devoro-te por dentro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bifurcação



Fantasiai! Quero-te, mas com o medo de querer, cria-se atmosfera pesada, embriagante, de desejos misturados a repulsa.
Quero-te em explícito, em confusão, a insegurança é teu porto não seguro de orgasmos fantasiosos lidos entre teus cílios, entre seios, entre braços semifechados; em asas arqueadas ameaçando aventuras...
Finges que não é contigo que finjo que não te alarmo, que não te atiro um desconcertante raio, pois não desvio meus olhares. Não mais.
O ar é pesado, é morno, é úmido, visto que estou tão perto de teus lábios... Teu alento...
Mel vaporizado, vapor entorpecente exalado dos abraços.
Não, não é eterno... Da chama o combustível cessa, mas é tão vagaroso... Queima apesar do frio que adentra as janelas.